O Rio Botas e as consequências do temporalem Belford Roxo
O Rio Botas, onde uma mulher desapareceu durante o temporal em Belford Roxo, está obstruído pelo lixo nesta segunda-feira (15). A prefeitura está usando uma retroescavadeira para tentar remover o acumulado de resíduos e dar escoamento ao rio. Ao mesmo tempo, os bombeiros continuam as buscas pela cabeleireira Elaine Cristina Souza Gomes, que teve o carro arrastado pela enxurrada. O veículo caiu no Rio Botas.
Os bairros próximos ao Rio Botas ainda enfrentam alagamentos desde que o rio transbordou. O governador Cláudio Castro já anunciou que vai pedir ao presidente Lula prioridade nas obras do rio. "As cidades têm que trabalhar cada dia mais na prevenção e nas obras para que isso não aconteça mais", afirmou em coletiva de imprensa.
As consequências da chuva histórica na Baixada Fluminense
Três cidades da Baixada Fluminense registraram, em dois dias, mais chuva do que a média do mês de janeiro. As cidades de Mesquita, Nilópolis e São João de Meriti tiveram um volume entre 260 mm e 275 mm no final de semana, de acordo com as medições do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. A média para o mês está entre 220 mm e 260 mm, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
A chuva começou de forma localizada no sábado, mas ganhou força a partir da tarde e continuou por toda a madrugada de domingo, diminuindo apenas durante a manhã. As consequências foram desastrosas, com pelo menos 11 pessoas mortas e uma mulher desaparecida após o carro onde ela estava cair no Rio Botas.
Marcelo Seluchi, meteorologista e coordenador de operações e modelagem do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), definiu a chuva como "histórica" e afirmou que nenhuma cidade do mundo suportaria um volume parecido. "Choveu mais de 200 mm em 6 horas, quase 240 mm em 24 horas, são chuvas muito intensas. As cidades não estão preparadas para volumes desse tipo. Provavelmente nenhuma cidade do mundo conseguiria suportar uma chuva de mais de 200 milímetros em 6 horas", disse Seluchi.
A Baixada Fluminense ainda registra pontos de alagamento. O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que agentes do órgão estão verificando possíveis problemas que impedem o escoamento da água em cidades da região. O presidente do Inea, Philipe Campello Costa Brondi da Silva, explicou que a maré alta é um dos problemas. "O volume de chuva no Rio de Janeiro foi muito grande. Foram mais de 260 milímetros de chuva em 24 horas. Isso equivale a um mês inteiro de janeiro em um único dia", disse Campello.
O risco de deslizamento e as medidas tomadas pelo governo
O Governo do Estado do Rio de Janeiro montou um gabinete de crise no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) para a elaboração de estratégias conjuntas para lidar com os efeitos da chuva. Oito municípios ainda correm alto risco de deslizamentos, sendo eles: Seropédica, Rio de Janeiro, São João de Meriti, Nilópolis, Mesquita, Duque de Caxias, Niterói e Queimados.
A cidade do Rio de Janeiro também enfrentou altos níveis de chuva. Os bairros de Anchieta e Irajá registraram cerca de 40% e 25% a mais, respectivamente, do que o volume esperado para o mês de janeiro. Em 24 horas, Anchieta teve 266,4 mm de chuva e Irajá teve 213,6 mm.
Previsão e medidas de segurança
As temperaturas voltam a aumentar nesta segunda-feira, combinadas com a umidade ainda elevada, o que favorece as pancadas de chuva isoladas à tarde e à noite. Embora não haja expectativa de chuva generalizada e volumosa, é importante ressaltar que ainda há risco de alagamentos de vias, transbordamento de rios e até mesmo deslizamentos.
Diante desse cenário, é necessário que as autoridades adotem medidas de prevenção e obras estruturais para minimizar os impactos das chuvas na região. A limpeza e desobstrução dos rios e córregos, bem como a atualização dos sistemas de drenagem, são medidas indispensáveis para evitar tragédias como essas.
Além disso, a população também deve estar consciente dos riscos e tomar precauções, evitando transitar por áreas alagadas, obedecendo as orientações das autoridades e buscando abrigos seguros em caso de necessidade.
Precisamos aprender com esses eventos climáticos extremos e investir em medidas de adaptação e enfrentamento das mudanças climáticas. Somente dessa forma poderemos garantir a segurança e o bem-estar das comunidades afetadas.
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