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Conheça história da tentativa de atentado ao Palácio do Planalto que ocorreu há 35 anos

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Há 35 anos, o sequestro do avião da Vasp que chocou o Brasil

Há 35 anos, em 29 de setembro de 1988, um homem entrou em um avião decidido a atingir o Palácio do Planalto, em Brasília. Raimundo Nonato Alves da Conceição estava em um voo comercial da antiga Vaspe sequestrou a aeronave dizendo que iria "acertar contas com o presidente da época", José Sarney.

O sequestro

O voo do Boeing começou em Porto Velho (RO) ainda de madrugada, rumo ao Rio de Janeiro (RJ). Comandado pelo piloto Fernando Murilo de Lima e Silva e pelo copiloto Salvador Evangelista, a aeronave tinha escalas em Cuiabá (MT), Brasília (DF), Goiânia (GO) e Belo Horizonte (MG).

Por volta das 10h da manhã, 60 pessoas embarcaram na última etapa do voo, no Aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, juntando-se aos outros 38 que já estavam a bordo. Após 20 minutos, Raimundo anunciou o sequestro.

Carregando uma arma calibre 32 e mais de 100 balas, ele disparou contra a porta do cockpit do Boeing 737-300. Na época, as portas não eram blindadas, e o comissário Ronaldo Dias, que tentou impedir a invasão da cabine, acabou baleado. O painel do avião também foi alvo de tiros. Depois, a perna de um terceiro tripulante, Gilberto Renhe, que tinha acabado de embarcar em Belo Horizonte.

'Código 7500'

Ao perceber a situação, o comandante Fernando Murilo acionou pelo transponder o código 7500, que significa sequestro. Mas, ao abrir a porta da cabine, Raimundo atirou na nuca do copiloto Salvador Evangelista, que morreu na hora.

Raimundo mandou desviar a rota e voltar para Brasília. O objetivo do homem era atirar o avião, com 108 passageiros, incluindo ele mesmo e mais sete tripulantes, contra o Palácio do Planalto. No entanto, com o código de sequestro acionado pelo piloto, a Força Aérea Brasileira (FAB) mandou um caça Mirage perseguir o avião.

Depois de sobrevoar Brasília por algum tempo, o piloto enganou Raimundo, dizendo que a visibilidade estava ruim, e o convenceu a seguirem para Goiânia. Enquanto sobrevoavam a cidade, aumentava o risco de "pane seca", que é quando o combustível acaba.

Nesse momento, Raimundo pôs a arma na cabeça do piloto e mandou que ele desviasse para São Paulo. Com o copiloto morto e sem mais muito tempo no ar, pensando não ter mais nada a perder, o piloto Fernando Murilo resolveu arriscar.

'Tunneau barril', queda livre e parafuso com Boeing 737

O piloto ? que tinha formação militar ? começou a executar manobras consideradas muito perigosas. Foi assim que, pela única vez na história, um Boeing 737 entrou em um "tunneau barril" ? manobra que só é vista entre aviões militares, em que o avião circula o próprio eixo ? em uma tentativa de derrubar o sequestrador, que não funcionou.

O piloto, então, arriscou ainda mais e colocou o avião em "estol", ou seja, em uma queda livre de 9 mil metros, e em parafuso. Raimundo finalmente caiu, já perto do Aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia.

O piloto Fernando Murilo conseguiu pousar em segurança. No entanto, Raimundo recuperou a arma e o domínio do avião, e foi iniciada uma negociação com a polícia que ainda durou duas horas.

Como parte da negociação, a Polícia Federal colocou um avião Bandeirante à disposição de Raimundo. Era noite quando ele desceu do Boeing da Vasp e, quando se dirigia ao avião menor, foi alvejado nas pernas.

O desfecho e o legado

Raimundo ficou internado em Goiânia e morreu dias depois, de anemia falciforme. A causa foi tão inesperada que deixou suspeitas de que ele poderia ter levado uma injeção letal, mas o caso nunca foi investigado.

O piloto Fernando Murilo morreu em 2020, aos 76 anos.

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