As Americanas aprovam plano de recuperação judicial com adesão de 97,19% dos credores
Nesta terça-feira (19), durante a Assembleia Geral de Credores, as Americanas aprovaram seu plano de recuperação judicial. O PSA (Plan Support Agreement) da varejista contou com a adesão dos detentores de 97,19% da dívida concursal da companhia, que totaliza R$ 42,5 bilhões. No entanto, o plano ainda precisa ser homologado pela Justiça, e a empresa terá dois anos para executá-lo.
Qual foi a adesão dos credores?
A assembleia contou com a presença de 1.860 credores e foi realizada de forma virtual. Houve uma proposta de suspensão da AGC (Assembleia Geral de Credores) e seu adiamento para janeiro, mas apenas 10,85% dos presentes foram favoráveis a essa medida. Alguns credores solicitaram mais tempo para a análise das alterações pontuais feitas no plano apresentado. Cada credor teve direito a um voto durante a votação. Antes da AGC, a empresa já contava com mais de 50% de adesão, o que garantiria a aprovação do PSA.
O que o plano de recuperação judicial prevê?
O principal ponto do plano de reestruturação das Americanas é a injeção de R$ 12 bilhões no capital da companhia. Esses recursos serão provenientes dos três principais acionistas - os bilionários do 3G Capital, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira - que detêm 30,12% da varejista. Até o momento, cerca de R$ 1,5 bilhão já foi injetado.
Após a homologação do plano, outros R$ 3,5 bilhões serão aportados em até 15 dias. A empresa destacou o "esforço dos acionistas de referência e credores para salvá-la, bem como sua confiança na recuperação da empresa" em comunicado divulgado ao mercado. Além disso, os bancos credores irão converter parte da dívida em ações, passando a deter 48% da companhia. A venda da Natural da Terra e a participação de 70% na Uni.Co também estão previstas para o pagamento antecipado de dívidas. As vendas da unidade digital das Americanas e da fintech Ame não são obrigatórias, mas não foram descartadas.
Quando os credores receberão?
O plano aprovado detalha os prazos e modalidades de pagamento para cada tipo de credor. Dívidas trabalhistas e micro e pequenas empresas serão quitadas em até 30 dias após a homologação do acordo. Fornecedores padrão com dívidas de até R$ 12 mil receberão em parcela única no prazo de até 30 dias. Fornecedores com dívidas acima de R$ 12 mil poderão receber no mesmo prazo, desde que aceitem os R$ 12 mil e abram mão do valor excedente. Caso não aceitem, terão um deságio de 50% e o pagamento será feito em 48 parcelas. Os fornecedores colaboradores terão prioridades de acordo com o valor de seus créditos e volume de vendas com a companhia. Os credores de tecnologia também terão certa prioridade.
O histórico da fraude contábil das Americanas
O pedido de recuperação judicial das Americanas veio após a empresa revelar uma fraude contábil bilionária. Os números reais só foram divulgados no início de novembro, após diversos adiamentos, e revelaram uma fraude de R$ 25,2 bilhões. Essa fraude inclui R$ 20,4 bilhões de verbas de propaganda cooperada, que eram lançadas como receitas fictícias para diminuir o custo de mercadorias vendidas. Além disso, a empresa contratava operações financeiras chamadas de risco sacado para melhorar seu caixa, lançando as receitas fictícias de VPC e as dívidas de risco sacado nas contas dos fornecedores.
Em 2021, os números também foram revisados. O lucro de aproximadamente R$ 500 milhões divulgado anteriormente foi ajustado para um prejuízo de R$ 6,3 bilhões. A dívida bruta da empresa em 2022 era de R$ 37,3 bilhões, com dívida líquida de R$ 26,29 bilhões, um aumento de mais de R$ 12 bilhões em relação ao ano anterior.
O CEO da Americanas, Leonardo Coelho, afirmou que o plano de recuperação judicial aprovado pavimenta o caminho para a reconstrução operacional e financeira da empresa. A companhia projeta gerar caixa em 2025, com expectativa de Ebitda de mais de R$ 2,2 bilhões e diminuição da dívida financeira bruta para algo entre R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão.
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